sábado, 24 de maio de 2014

O Diretório Central dos Estudantes, a Aliança pela Liberdade e o "novo" movimento estudantil

Gestão Amanhã há de ser outro dia

“[...] nós somos o novo movimento estudantil: livre, independente e apartidário! Trabalhamos para uma UnB livre e de excelência.”
Aliança pela Liberdade

Na última sexta-feira, dia 16 de maio, teve fim mais um processo eleitoral do Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães, entidade máxima de representação estudantil da Universidade de Brasília. Seguindo os resultados dos dois últimos anos, a Chapa 1 - Aliança pela Liberdade - venceu a disputa com ampla vantagem sobre as outras três chapas concorrentes, faturando 52,8% dos 9.785 votos válidos.

Resultado das eleições, por urna. Divulgado na página do DCE UnB Honestino Guimarães

Além de evidenciar as fragilidades das articulações desastrosas feitas por alguns setores da esquerda - que "vestiram a camisa" do pragmatismo político - e a nossa dificuldade em se organizar enquanto frente estudantil anticapitalista, essas eleições foram especiais por tonar clarividente a força da direita com seu projeto de DCE eficiente e de excelência.
Eficiência para acabar com os problemas que afligem os estudantes da UnB. Propõem a militarização do campus para combater os diversos furtos e estupros que ocorrem nos estacionamentos, mas, também, para conter as manifestações legítimas e a liberdade de manifestar seu descontentamento, (como na ocupação da reitoria pelos estudantes do CASSIS – Centro Acadêmico da Assistência Estudantil, em 2013, e a intervenção da Polícia Federal para retirá-los do local, após solicitação do reitor Ivan Camargo... O mesmo reitor que depredou o patrimônio público, após se estressar com alguns servidores em greve e nada sofreu...).
Não é nosso objetivo aqui desconsiderar a violência que tanto assombra a UnB, mas refletir sobre as consequências dessas ações sob a lógica do oprimido, ou, dos estudantes que, no dia-a-dia, enfrentam as dificuldades de estudar em uma universidade que é pensada para a elite.
Até porque Polícia Militar no campus é sinônimo de segurança, certo? Bem, não foi isso que a força tarefa do último dia 1° de abril, na FEF, nos mostrou... Este carro foi arrombado em plena luz do dia, em frente à faculdade, debaixo dos olhos atentos dos eficientes “agentes da lei”.



E as propostas eficientes para melhorar a mobilidade no campus? A Aliança, rapidamente, tentou resolver o problema. Enquanto conseguiam o desconto de 10 centavos no litro da gasolina nos postos Disbrave para a comunidade universitária, muitos colegas se apertam nos poucos ônibus que passam na FEF, a cada uma hora. Porque bom mesmo é ter Liberdade de se apertar no “busão”...



Defendem, também, a excelência universitária, com investimentos em massa da inciativa privada, a criação do parque tecnológico (que será o grande parque de diversões das empresas em busca de novidades tecnológicas que lhes deem um bom dinheiro...).
Segundo esse grupo, a UnB deve ocupar lugar de destaque no ranking brasileiro e internacional e, secundarizando o papel de ser uma instituição engajada nas soluções dos problemas para além dos seus muros, socialmente referenciada e comprometida com a superação dos problemas históricos que atingem o povo brasileiro. Além disso, o DCE não deve se envolver nos assuntos da sociedade da qual faz parte, deve desconsiderar a sua própria história e limpar do seu nome as manchas do suor (e do sangue!) dos que lutaram para que hoje estivéssemos aqui, estudando em uma universidade pública e gratuita.
Honestino Guimarães, ex-presidente da UNE, estudante preso no campus Darcy Ribeiro em 1973 e assassinado pelos militares, que dá nome à esse diretório, certamente, está se revirando de ódio na cova onde colocaram os seus restos mortais só de imaginar que hoje essa entidade defende a Polícia Militar no campus... Mas, lembrar disso é representar o “velho” movimento estudantil...
Longe de querer viver no passado – mas buscando nele elementos vitais para compreender o hoje – acreditamos que o movimento estudantil não pode perder seu eterno sentimento de inconformismo, sentindo na pele o peso da “chibata” recebida pelos que nos antecederam, mas, também, dos que diariamente são cobertos pelo grande véu da invisibilidade social.
Se essas eleições, para alguns, expressam a derrota da esquerda na UnB (metaforicamente, enterrando o corpo e colocando flores sobre o túmulo para escondê-lo) nós temos o prazer de destoar e (re)afirmamos, com Liberdade: perdemos a batalha, mas não a guerra. Nosso projeto é societário e, portanto, ultrapassa os limites de uma eleição. A nossa luta é uma só: contra a sociedade capitalista e, portanto, contra a desigualdade de oportunidades entre os homens
Por um DCE comprometido com a formação humana e os reais interesses dos estudantes! Seguimos na luta!

“Eu vou à luta
É com essa juventude
Que não corre da raia
À troco de nada
Eu vou no bloco
Dessa mocidade
Que não tá na saudade
E constrói
A manhã desejada.”


Trecho da música “E vamos à luta” de Gonzaguinha


Essa nota foi construída coletivamente pelos estudantes que compõem a Gestão amanhã há de ser outro dia do CAEdF UnB.

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